DEPRESSÃO E SUICÍDIO: A LUTA É DIÁRIA

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“Quem quer se matar não avisa” “É falta de amor”

“É só pra chamar a atenção” “Tem que deixar morrer”

Pesado, né? O mais pesado é ter que ouvir de pessoas próximas, parentes, “amigos”... Suicídio não é brincadeira, não afronte, não julgue, não duvide.

Uma causa, vários motivos pra não desistir

Há algum tempo – nem tanto assim – havia um “código” uma espécie de conduta midiática em que se excluía assuntos envolvendo suicídio. Mas algumas organizações, incluindo a OMS (Organização Mundial da Saúde), sugeriram uma radical mudança na forma de lidar com o assunto. Entendendo que, a mídia tem um papel poderoso e que pode sim contribuir para a conscientização e prevenção do suicídio – desde que o assunto seja tratado com seriedade e empatia.  

 

Suicídio e Depressão

Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo sofra com a depressão. Só no Brasil, quase 6% da população sofre com esse problema, um total de 11,5 milhões de brasileiros.

Conversamos com o psicólogo Rodrigo Taddeu da Silva (CRP 08/22826) de Paranavaí, que nos contou um pouco sobre essa relação:

“A primeira coisa que devemos fazer é desmistificar alguns conceitos muito presentes na sociedade. Algumas frases de pessoas depressivas são muito fortes e relacionadas ao pensamento suicida – "Só queria dormir e não acordar mais!", "Sumir pra sempre", entre outras. Portanto, o suicídio deixa vestígios, sim! ... e, na maioria dos casos, pode ser evitado! -  O isolamento social, que também é característico de uma pessoa depressiva, deve ser acompanhado com muita responsabilidade, já que também há um alerta nessa isolação profunda.

A cada 40 segundos o suicídio é responsável por uma morte

Há alguns grupos chamados de “vulneráveis”, eles são constituídos por pessoas que sofrem com a discriminação, o isolamento e a exclusão social. Essas pessoas fazem parte de um número expressivo de suicídios, são eles: Refugiados e migrantes, indígenas, gays, bissexuais, transgêneros e pessoas privadas de liberdade.

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“O desemprego também mata”

 

Para Rodrigo, estamos enfrentamos alguns aspectos que contribuem para esse crescimento expressivo de suicidas e acrescenta: “Não podemos ignorar o fato de que, com a falta de emprego e impotência financeira, algumas pessoas simplesmente não conseguem encontrar uma saída e acabam tirando a própria vida - e em muitos casos - a dos familiares também”.

Entre jovens de 15 a 29 anos, o suicídio foi a segunda maior causa de morte em 2015. Nesse mesmo ano, 788 mil pessoas morreram por suicídio.

“Atualmente temos o cyberbullying que é a prática de bullying pela internet. “Isso também contribui para que os jovens sejam vitimados. A exposição nas redes é como uma faísca, espalha-se rapidamente, tornando tudo mais difícil de ser controlado” – completa Rodrigo.

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Prevenção do Suicídio e Controle 

O suicídio é uma questão social, para que as medidas sejam eficazes, é necessário que haja trabalho em conjunto dos ministérios da saúde e educação, da assistência social, da justiça e apoio da mídia. Rodrigo ressalta a importância dos trabalhos em rede, como, por exemplo, o Encontro Municipal de Serviços Públicos e Socioassistenciais e a Rede de Proteção a Criança e ao Adolescente, que são realizados em Diamante do Norte - Pr (no qual trabalhou até pouco tempo). 

Há uma série de medidas que podem ser tomadas para evitar essas mortes. Conversar sobre o assunto é o primeiro e um dos mais importantes passos.

  • É preciso ter uma cobertura responsável pelos meios de comunicação;
  • Introdução de políticas para reduzir o uso nocivo do álcool;
  • Identificação precoce, tratamento e cuidados de pessoas com transtornos mentais ou por uso de substâncias, dores crônicas e estresse emocional agudo;
  • Acompanhamento de pessoas que tentaram suicídio e prestação de apoio comunitário.

 

A prevenção não tem sido tratada de forma adequada devido à falta de consciência do suicídio como um grave problema de saúde pública. O tema ainda é um tabu e, por isso, não é - ou era -  discutido abertamente. “Agora temos que utilizar as mídias a nosso favor, com muita cautela, claro, mas precisamos falar mais sobre o assunto” – finaliza Rodrigo.

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Relato

Era por volta das 16h, pôs os pés na areia, tirou o anel, brincos e pulseira, deixou de lado o celular, os pertences e a vontade de viver. Entrou no mar, mãos gélidas - tanto quanto a água que batia sob a cintura -  misturava o sal da água com o dos olhos e assim foi afundando.

Entrando cada vez mais em um mundo desconhecido, em uma vontade de ali não estar, de acabar com tudo. “Mas será isso? Será que é só isso?” Dizem que o suicida é egoísta, discordo. É de tanto pensar tão somente nos outros que ele vai se esvaindo, vai se apagando, vai se desligando. Nesse dia o mar não aceitou, algo puxou-lhe pelo braço, nunca soube o que/quem era, mas desde então, uma segunda chance ali se findou.

Hoje o mar tem outro significado, lava a alma e abrilhanta os sonhos, o sal virou tempero e as ondas carregam as mágoas. Que sorte a minha.

 

Referências

Dados da OMS- Organização mundial da Saúde

nacoesunidas.org/

www.paho.org

 

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