APARÊNCIA PESSOAL: A SOCIEDADE NÃO PERDOA!

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Quem nunca foi julgado(a) pela aparência ao menos UMA vez na vida que atire uma pedra. O tal da "primeira impressão é a que fica" continua assombrando muita gente. O historiador Fabiano Ferreira trouxe algumas considerações sobre esse assunto. Confira:

No capítulo 1, do Livro: Por que as empresas perdem clientes, abordei o tema aparência pessoal no ambiente empresarial, algo pertinente neste artigo. Recentemente, uma jovem afirmou não ter conseguido emprego por causa da sua aparência, isso foi dito no programa “Encontro”, apresentado por Fátima Bernardes, na Rede Globo. Yasmim proferiu a seguinte afirmação: “Toda vez que eu ia fazer uma entrevista (de emprego) ... eu entendia que... eu sabia que não passava por conta do meu cabelo e por conta da minha cor (por ser negra), isso me prejudicava muito. Depois que eu fiz a entrevista, fiquei muito decepcionada por conta de tudo isso, daí resolvi assumir meu cabelo e trabalhar para mim mesma...” Em sua rede social ela escreveu:

"A crueldade do racismo é escancarada, é tão cruel ao ponto de fazer com que seus próprios irmãos reproduzam atos racistas, faz com que um preto ache engraçado compartilhar falas e fotos com teor preconceituoso. O racismo envenenou tanto vocês, IRMÃOS PRETOS, ao ponto de não perceberem que ao compactuar com falas rudes, estão atacando vocês mesmos? Não deveria ser o momento em que nós todos estaríamos juntos?" - Yasmim Stevam 

Arquivo pessoal/ Yasmim

Rapidamente as pessoas começaram a se manifestar nas mídias sociais, apoiando e principalmente fazendo pesadas críticas, o que se desdobrou na publicação de vários artigos e vídeos sobre o assunto, gerando muitos debates sobre racismo, problemas culturais, moda e estilo, bem como possíveis problemas nos processos seletivos para emprego. Abordarei rasamente a relação da aparência versus emprego/empresa. O foco aqui não é discutir se determinadas práticas sociais são certas ou erradas, mas dizer o que de fato sabemos ocorrer diariamente aqui - e no mundo.

Em todas as épocas e em diferentes locais ao longo da história, sempre existiram padrões sociais e de aparência que eram considerados aceitáveis pelo grupo que o sujeito estava inserido. Também sabemos que as pessoas que ousaram agir de maneira diferente do resto do grupo, sempre sofreram com ataques por não estar de acordo com as condutas socialmente aceitas, por exemplo: trajar roupas muito diferentes dos demais ou fazer algo novo, como ousaram Elizabeth Eckford, Adélia Sampaio, Antonieta de Barros, Enedina Alves Marques, mulheres que revolucionaram seu tempo, mas que foram alvos de críticas e perseguições.

Antonieta de Barros foi uma jornalista, professora e política brasileira Inspiração para o movimento negro:

Primeira deputada estadual negra do país e primeira deputada mulher do estado de Santa Catarina

Na atualidade, sabe-se que as empresas buscam por profissionais com ótima formação escolar e que tenha outras tantas características como liderança orientada, resiliência, sinceridade, capacidade de adaptação, confiança e aparência pessoal que se alinhe à empresa (e outras características), essas são as regras do jogo e não espere que alguém lhe pergunte se são certas ou erradas, elas existem e são aplicadas na prática. Vejamos apenas um exemplo: Imagine dois jovens recém-formados em Direito, ambos enviam currículos e são chamados para uma entrevista em um grande escritório de advocacia. Supomos que os dois jovens possuem currículos muito semelhantes, bem como características físicas parecidas. Todavia, no momento da entrevista de emprego um dos jovens chega ao local trajando terno e gravata, o outro chega usando calça jeans, camiseta e tênis. Eu lhe faço a seguinte pergunta: qual dos dois candidatos está mais próximo de ser contratado?

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É "óbvio" que o jovem trajando terno e gravata, pois essa é a aparência que se espera de um advogado, mas se isso é certo ou errado, não importará, pois a decisão final estará nas mãos do empregador, que têm o poder de decidir quem contratar, essa é a realidade. Assim, ocorre na maioria das empresas no mundo, quem não se adéqua a essa realidade, sofrerá, pois terá muita dificuldade em conseguir um emprego.

Por fim, temos o direito de liberdade de escolha, mas toda escolha que fazemos nos trará consequências, seja positivas ou negativas, eis o fato, a sociedade não perdoa aqueles que ousam ser diferentes.

Mesmo assim, diante de tudo, que sejamos sempre nós mesmos, que não esqueçamos da nossa essência! Abraços e até a próxima.

TEXTO por: Fabiano Ferreira https://www.facebook.com/FabianoFerreirapalestras/

Fotos: Divulgação/ pixabay e pexels

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