Futuro do Trabalho: O que podemos esperar dos próximos anos

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O que a inteligência artificial e as novas tecnologias mudarão e qual a melhor forma de se preparar para o que está por vir

Temos observado os avanços tecnológicos e novidades cada vez mais frequentes no que diz respeito a robôs e novas máquinas. A inteligência artificial e os novos meios de produção causam frequentemente duas reações: surpresa e medo. Ver o quanto a tecnologia está criando possibilidades e soluções acaba gerando uma preocupação com o futuro da população. Se as máquinas e novas tecnologias estão cada vez melhores como será o ambiente de trabalho nos próximos anos?

De acordo com um relatório do Fórum Econômico Mundial até o ano de 2020 os empregos perdidos para a tecnologia podem chegar a 7,1 milhões. Seguindo essa linha, esse mesmo relatório aponta que 65% das crianças que estudam hoje no Ensino Fundamental terão empregos que não existem ainda. As mudanças são claras e estão cada vez mais perto de acontecerem.

Com base em dados recentes a WGSN (empresa de previsão de tendências) e o Linkedin criaram um estudo detalhado mostrando qual será o futuro do trabalho. Desemprego? Falta de oportunidade? Novos meios de produzir? O ser humano ainda importa? Essas questões ganharam respostas e quer um spoiler? O futuro é promissor.

Imagem: pixabay

O valor das competências humanas

Há alguns anos cientistas e profissionais da área de robótica estudam como criar um robô que lave roupas. A proposta parece simples: uma máquina que faça todo o processo de separação das peças, coloque as quantidades adequadas de produtos de limpeza e dê prosseguimento ao processo de lavagem e secagem. Porém, existe um problema: os inventores ainda não descobriram como fazer com que o robô identifique os tipos de tecidos das peças de forma autônoma. Como não possuem o tato apurado como o dos humanos, os robôs não conseguem efetuar esse tipo de tarefa.

Parece um exemplo bobo, mas isso diz muito sobre o quanto as competências humanas são indispensáveis, tanto agora quanto no futuro. A Quarta Revolução Industrial se apresenta como um caminho para a automação cada vez mais firme e sem volta. No entanto, mesmo com a proficiência da tecnologia, alguns recursos humanos não podem ser substituídos.

Mais do que o tato, o que promete ser o diferencial no mercado de trabalho nos próximos anos é o fator humano. As chamadas soft skills podem ser definidas em dez principais competências, sendo elas: criatividade, inteligência emocional, capacidade de experimentação, empatia, compartilhamento, comunidade, transparência, colaboração, mindfulnesse espírito empreendedor.

O que vem sendo percebido é que não só faculdades e cursos são importantes para a formação de um bom profissional. Habilidades que são desenvolvidas fora do ambiente de estudo são cada vez mais valiosas e necessárias.

O que a educação pode fazer por nós

Não há como negar, a única maneira de estarmos todos preparados para a Quarta Revolução é a educação. Novas formas de aprender e aprimoramento das já mencionadas soft skills são imprescindíveis para a transição saudável e bem-sucedida do que está por vir.

Em seu canal no Youtube, a Gazeta do Povo tem uma quadro chamado Guia de Graduação. Em um dos bate-papos ao vivo o tema foi Como Se Preparar Para as Profissões do Futuro (na íntegra aqui). A conversa com Andrea Greca e Guilherme Krauss trata justamente da educação e do desenvolvimento de novas habilidades para habitar de forma segura os novos meios de trabalho.

O panorama mais comumente comentado é que o futuro terá duas grandes necessidades. Primeiro, pessoas que sejam especialistas e aptas a lidar com as novas tecnologias. A segunda necessidade é justamente o aspecto emocional, de trato com pessoas e tomadas de decisão. Quanto mais inteligência emocional, resiliência e criatividade as pessoas tiverem e desenvolverem, melhor será a colocação delas nessas novas profissões e formas de trabalho. A professora e coolhunter Andrea Greca, afirma que embora o futuro não seja ainda totalmente previsível, é importante que haja observação do que vem se firmando como necessidade e que os trabalhadores entendam o quanto antes o novo modelo profissional.

Tecnologia mais humana

De acordo com a Global GFK, 71% dos brasileiros só adquirem produtos e serviços de marcas e empresas que se relacionam com suas crenças e valores. A empatia e o propósito são vias duplas. Quanto maior a afinidade com determinada marca ou produto, maior a chance de aquisição. Isso vale tanto para os casos em que se busca por um médico especialista, quanto para compras em lojas físicas. Nos dois casos saber que existe um profissional competente e confiável pronto para atender o cliente faz toda a diferença.

Qual é o ponto? Por maior que seja o avanço da tecnologia nos processos, ainda assim o fator humano é essencial. Médicos e vendedores com certeza terão ferramentas tecnológicas que os ajudarão no futuro, no entanto, a presença desses profissionais em seus respectivos ambientes de trabalho continuará sendo necessária.

O artigo The Jobs That Artificial Intelligence Will Create publicado na revista MIT Sloan (aqui, em inglês) fala sobre como a inteligência artificial criará novos empregos e necessidades no mercado corporativo. Mas sobretudo, como as transformações tecnológicas irão requerer cada vez mais “humanidade” em seus processos. A medida em que os impactos tecnológicos ocorrerem maior será a necessidade de recursos humanos dentro das empresas e corporações.

Ou seja, a inteligência artificial, e tantas outras formas de tecnologia, não terão como papel remover os humanos dos processos de trabalho. O que se pode esperar é a potencialização das pessoas nas formas de atender ao público e desenvolver tarefas. Ganha destaque e garante o futuro profissional quem estiver disposto a se integrar às mudanças.

Quem foi criança nas décadas de 1980 e 1990 provavelmente assistiu aos episódios de "Os Jetsons." A família do desenho animado vivia em um tempo no futuro cheio de espaço-naves, robôs e serviços automatizados. Muitos de nós crescemos com essa ideia do desenho de como seria o futuro. O que nós não imaginávamos é que com o advento das novas tecnologias o que se tornaria de fato importante não eram as máquinas, mas sim o que nós humanos temos de melhor: nossa capacidade e habilidade para lidar com pessoas.


Jéssica Dantas é redatora, entusiasta de estudos sobre futurologia, colunista da revista Nova Folha. Realiza trabalhos com e-commerce e comunicação.

Para contato profissional: jessicadantasx@gmail.com

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