MULHERES PODEROSAS: “Respeita as mina”

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Ainda há quem pense na mulher como um ser inferior e frágil, acredita? Mas ok, então vamos mostrar agora a história de três mulheres. Elas desafiam a “fragilidade” e mostram que mulher pode fazer e ser tudo o que quiser.


Vamos conhecer a Jaqueline Alves

Ela tem 29 anos e há oito trabalha como motorista de... CAMINHÃO. Isso mesmo!

Atualmente reside em Nova Londrina e trabalha por aqui mesmo. Jacke (como gosta de ser chamada) tem dois filhos, Nicolly de 8 anos e Marcos Evandro de 15

Sobre o trabalho:

“Tive uma vasta experiência com graneleiro (bitrem) na estrada, porém minha melhor estadia é aqui. Trabalho como motorista de caminhão comboio (lubrificantes, óleo diesel, entre outros)”.

Mas, por que caminhão?

“Eu sempre gostei, desde criança eu me identificava. Meu pai me contava que meu avô Abílio (já falecido) também foi motorista, mas de caminhão de lenha. Talvez eu tenha herdado essa vontade, não sei. Acredito que tenha sido isso".

Sobre críticas:

“Há muitas pessoas pra criticar e poucas para te apoiar, mesmo assim eu sigo firme e nunca abaixo a cabeça. O que me importa é trabalhar com o que amo e fazer bem feito. O resto não interessa. Tenho muitos objetivos e estou pouco a pouco conquistando.”

EXEMPLO PARA OS FILHOS

“Meu filho diz que vai seguir a minha profissão, que vai trabalhar com caminhão também, imagine só meu orgulho! Ter o apoio dos meus filhos faz toda a diferença. Sinto que posso ir mais além.” – nos confessa Jacke.

Curtindo a folga com os filhos

Além de exercer a função de motorista ela também realiza manutenção em máquinas pesadas, trocas de óleo e abastecimento. Tá bom ou quer mais? Hahaha

"Mulher no volante?" “Mulher dirigindo?” “Só vai dar trabalho”

“Isso não é profissão de mulher” “Não vai longe”

“Sempre tem aquelas piadas machistas, mas a gente aprende a superar. Tive muitas dificuldades no início. Sofri (e ainda sofro) preconceito, mas meus companheiros me respeitam e no meu trabalho sou bem recebida. Conquistei meu lugar e isso me deixa imensamente feliz.”

Imaginem só a cara de espanto dos “machões” e dos preconceituosos tendo que engolir o veneno. “Eu não ligo muito pro que falam, mas claro que as vezes isso atinge a gente, mas quando fazemos o que gostamos, o resto não importa.” – Diz Jacke.

E nós temos muito orgulho de você, Jacke! Parabéns por fazer o que ama, indo contra a maré, saindo do comodismo e lutando pra fazer o que ama. Você tem todo nosso respeito e admiração por isso.


Agora vamos conhecer a Poliana Delatorre.

Ela também tem 29 anos, é nascida em Loanda, mas foi criada em Nova Londrina. “Rodei o Paraná e também já fui pra Portugal, voltei, fiz faculdade, me formei em Engenharia Agronômica, e comecei a me interessar por cervejas ainda na faculdade". - diz Poli.

Desde então Poliana tem duas paixões: Agronomia e Cerveja. “Me via comprando as garrafas de cervejas e tentando analisar os ingredientes, identificar sabores aí a curiosidade foi crescendo, tornou-se hábito e logo, uma paixão".

Atualmente Poli mora em Florianópolis e gerencia o Beer and Pork https://www.facebook.com/beerandporkfloripa/

“Com o tempo fui pegando gosto pelos estilos, começando a entender o aroma, sabor, fervura, temperatura, lúpulos e combinação de pratos. Agora sou gerente da cervejaria Beer and Pork. Temos 16 torneiras de cervejas, procuramos inovar sempre e variar nas cervejas artesanais. Em duas dessas torneiras a gente tem a Delirium Tremens e Delirium Red, que são cervejas belgas. A Delirium Tremens já foi eleita a melhor cerveja do mundo (e muitos ainda a consideram). Minha equipe tenta entender o gosto do cliente, buscamos o que ele mais gosta, o estilo que mais curte, pra que assim possamos oferecer sempre o melhor. E esse é meu desafio.” – afirma Poliana.

Preconceitos? Poli também passou por eles:

“Tem alguns engraçadinhos que ainda acham que mulher não serve pra isso e aquilo, tem uns que vem com ironia e a gente tem que dar aquelas respostas - que normalmente não gostaríamos. Mas entendo, afinal, qual homem não se sente ofendido quando uma mulher sabe mais que ele?".

Seguir sempre!

“Não consigo entender qual a graça das piadinhas machistas, nunca vou entender essa coisa de inferiorizar a mulher. Eu tenho orgulho de fazer o que faço, ser quem sou e não me importa a opinião dos outros. Minha família sabe que faço o que desejo e me apoiam, então isso que importa."

E finaliza: “Vamos lá, galera, conheçam outras cervejas, experimentem outros sabores! Acertando na cerveja, acerta na comida também. Um brinde a isso, um brinde a tolerância e ao amor ao próximo”.

E QUEM AÍ TEM UMA PAIXÃO "RADICAL"? A BIA TEM!

Beatriz Mendes, 26 anos, dentista e "PILOTO".

Desde pequena acompanhou o pai Marçal Mendes - também dentista - com a paixão por motos. “Meus pais viajam muito de moto, desde muito cedo eu acompanhei isso e assim fui me apegando e me apaixonando também. Amor de pais para filhos.” – revela Bia.

A família toda envolvida:

“Saímos em família e isso é o máximo, é o que gostamos. Tenho 3 irmãos, duas meninas – que ainda não tem idade pra pilotar, mas que também já demonstram gosto por moto, e um irmão, Heitor que também tem moto. Antes de ter minha moto eu ia com ele nas viagens”.

Papai com seus dois motociclistas: Bia e Heitor

Conquistando a primeira moto

“Comecei a trabalhar – e muito haha - e consegui juntar uma grana e então fui atrás de uma moto. No início eu achava que eu compraria uma mais esportiva, mas quando eu vi a “Dama” - uma Harley linda- foi amor à primeira vista! Nós fomos buscá-la em Piracicaba, no interior do Estado de São Paulo. Quando eu vi, fiquei encantada e sem palavras! Com certeza meu coração bateu - e bate - no ritmo do escapamento dela”.

Harley Davidson 883 Iron

“Você sabe mesmo pilotar?” “A moto é do seu pai, né?” “De quem é essa moto”

“Eu ouvi muitas críticas também, mas acredito que seja pelo fato de não ser muito comum por aqui, mas claro que há comentários que são desnecessários mesmo, do tipo: “Não é esporte pra mulher”, obviamente que é sim e eu estou provando isso”.

Após a compra da moto, Bia se interessou ainda mais por motos e até entrou em um grupo do Whatsapp para trocar experiências e buscar dicas de equipamentos.

“Eu resolvi buscar mais! Não tenho muito tempo, mas o tempo que tenho eu procuro aproveitar. Fui muito bem aceita pelo pessoal, mas eles até se “assustaram” com mais uma mulher no grupo. A grande maioria são esposas dos motociclistas, mas eles acharam o máximo e me acolheram muito bem. Agora temos até um perfil no Instagram SPORTSTER_BR. E tem fotos minhas”. https://www.instagram.com/sportster_br/

PRIMEIRA VIAGEM

“Minha primeira viagem foi por aqui por perto mesmo. Fui até os portos, depois, Paranavaí, Umuarama... Comecei devagar, pra que eu conseguisse pegar mais confiança, me sentir segura, mas no fim do ano passado (2017), tive a experiência de viajar mais de mil km. A minha primeira “grande” viagem foi com chuva e tudo, foi uma experiência deliciosa. Achei que chegaria cansada, sei lá, talvez por ser mulher, pensei que poderia sofrer mais com viagens longas, ter mais dores, mas não, foi tudo normal”.

Voltando da primeira viagem

Bia nos conta que sempre seguem as regras de segurança e que procuram não viajar sozinhos.

“Nós temos todo equipamento, roupa térmica, luvas, capacetes bons. Isso nos dá conforto e proteção, mas o que nos mantém seguros mesmo é a cautela. Um dá suporte ao outro. Por isso é tão bom viajar em família”.

MULHERES, NÃO TENHAM MEDO!

“Tudo é questão de gosto. Não tem esporte de homem e mulher. É seguir o que a gente gosta e não dar muita bola pra língua do povo não. Quando estou na moto viajando eu sinto uma liberdade incrível e sinto que não há nada que eu não possa fazer. Nós mulheres podemos tudo!”.Finaliza Bia.

O que essas três mulheres têm em comum? Garra. Cada uma com sua luta, com suas paixões, sonhos e com suas vidas, mas todas com um único pensamento: “Nós podemos!"

Eu, Crislaine, desejo que todas as mulheres tenham coragem e oportunidade para realizar o que amam. Como jornalista – e olha que estou apenas começando – já sofri muitos preconceitos e já ouvi comentários machistas e destrutivos. A gente desvia, a gente segue, mas sabemos que ainda há muita intolerância no mundo. Meu desejo é que chegue o dia em seja algo tão “normal” que não precisamos de “pautas” para mostrar a força que a mulher tem.  Então: “RESPEITA AS MINA”.

 

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