PENSO, LOGO TOLERO

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Quando procuramos no dicionário a palavra ‘tolerância’, dentre os muitos significados do termo está a predisposição à boa convivência com o que é diferente, oposto. Trocando em miúdos, tolerar significa respeitar e conviver com opiniões, posturas, valores, crenças, orientações que divergem do nosso modo de ser e estar no mundo.

Sendo a tolerância o respeito às diferenças e que faz da diversidade social o tempero essencial da civilidade, o seu antônimo é o elemento que desencadeia a barbárie.

Intolerante é quem advoga para si o direito de tratar o seu diferente como inferior, impuro, indigno e transforma a convivência social num eterno campo minado pronto para explodir, segregar, mutilar, assassinar...

A tolerância é o elemento nuclear da democracia e quando rompemos esse elo social, somos tragados pelo monstro do ódio. Muitas vezes o fazemos imaginando que buscamos a melhor saída, que a razão está do nosso lado. É comum na história da humanidade religiões que sacrificam pessoas para salvar suas almas, grupos sociais que usam da agressão física e/ou moral para demonstrar seus ‘corretos’ pontos de vista e até mesmo pais que espancam filhos por causa de sua orientação sexual com o objetivo de "livrá-lo do mal".

Intolerante é aquele que escreve torto por linhas ‘retas’, ou seja, propaga a violência em nome da paz, prega o amor usando do ódio e ridiculariza ou mesmo extermina o que lhe é diferente para a consolidação da ‘igualdade’.

Quando ultrapassamos a linha quase imperceptível que separa a civilização da barbárie, somos tragados pela intolerância e esse é, quase sempre, um caminho sem volta. Quando uma sociedade torna a intolerância um hábito, perde a capacidade de discernir entre a empatia e a monstruosidade. Nos nossos dias, ser intolerante virou fetiche, necessidade de autodivulgação. Praticamos crimes de ódio e, dada a popularização das redes sociais, divulgamos como ato heroico onde ostentamos nossos troféus.

Entender as contradições que habitam a intolerância social é imprescindível para percebermos o quanto a nossa realidade está marcada por ela e o perigo que isso acarreta.

Quando a intolerância se naturaliza e torna-se cotidiana estamos inevitavelmente concretizando o nosso fracasso, perdendo a nossa capacidade de nos solidarizar com o diferente, de nos civilizar. Isso nos torna prezas fáceis nas mãos dos ‘senhores da guerra’. Está aí a História que não nos deixa mentir.


Marcio da Silva Oliveira, doutor em Letras (UEM), professor da Faculdade Santa Maria da Glória (SMG), Maringá - PR. Contato: prof.marcioliveira2015@gmail.com

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